Estive pensando, nesses últimos dias, no quanto a sensação de felicidade é relativa. Analisando meus últimos meses, eu diria que nada, absolutamente nada mudou. E, no entanto, porque parece tudo tão diferente??
Vocês acompanharam mais ou menos que, há poucos meses, tive uma crise de stress chatinha causada por 6 anos sem férias, muitas obrigações e uma pitadinha de ansiedade. Minha vida não perdeu a cor, mas ficou desbotada. Cansaço, insônia, preguiça. A sensação que dá é que tudo é pesado demais, é de que trabalhar não é mais tão bom, cuidar do blog é cansativo, fazer planos pra quê?
Só que eu sou chatinha com as minhas chatices, não me aceito assim, detesto mergulhar em problemas, aceitar lamentações, me conformar. Quando percebi que não estava bem, logo corri atrás de um médico que me receitou ansiolítico e, paralelo a isso, comecei a tomar Florais de Bach. Daí tem muita gente que diz que os florais são algo semelhante ao chamado efeito placebo. Que a gente toma qualquer coisa sem a menor eficácia medicinal, mas como estamos propensos a acreditar que melhoraremos, de fato melhoramos. Se foi isso o que aconteceu comigo? Não sei. Mas dá para perguntar para o meu cachorro, que também começou a tomar Florais de Bach Pet e está bem melhor. Vá lá que eu expliquei direitinho, vá lá que ele é bem inteligente, mas será que um animal pode ser induzido a um efeito placebo? Difícil acreditar.
Ainda que seja assim, os florais me tiraram de uma situação na qual eu não queria estar. O primeiro passo é esse: não querer, não aceitar. Tem gente que se acostuma a reclamar, a sofrer, a sentir dor, medo, angústia. Eu não. Detesto sofrimento, não gosto de fazer papel de coitadinha, odeio reclamar. Saí dessa com ajuda da minha família, dos amigos, dos remédios e dos florais - nenhum com peso maior, todos juntos.
E aí que eu penso na minha vida agora, tão mais tranquila e confortável. O que mudou de três meses para cá? Absolutamente nada, só a maneira como eu me posiciono diante das situações. O que me irritava muito já não me irrita mais. O que me deixava cansada hoje me dá prazer. O que me causava medo e ansiedade hoje ainda causa ansiedade, mas aquela boa, gostosa de sentir.
Tenho uma amiga de longa data que é dessas pessoas que não pára um minuto. E eu gosto muito dela, mas não tenho ritmo para amigos agitados e ela sempre reclama. Sempre quer que eu vá a bares, baladas, cinemas, teatros, shows. E uma frase que ela sempre usa é "Amiga, você é muito parada, você não vive". É como se viver e ser feliz só fosse possível fazendo mil coisas ao mesmo tempo. Como se nada nunca fosse suficiente, sabe?
Mas como assim eu não vivo? É claro que eu vivo, eu vivo à minha maneira. A minha vida é feliz do jeitinho que ela é. Eu sou feliz no sábado a noite vendo filmes com meu pai e minha mãe. Eu sou feliz acordando cedo todos os dias e pegando o trânsito da Castelo para vir trabalhar. Eu sou feliz comendo cachorro quente com meu namorado. Eu sou feliz indo ver show de Heavy Metal com meu irmão. Eu sou feliz deitada na rede em um feriado. É assim que eu sou feliz, exatamente assim, sem mais nem menos.
Cada um tem um jeito de viver e um jeito de ser feliz. O que me faz feliz pode não te fazer. Mas isso não quer dizer que a minha vida seja mais ou menos interessante que a sua. E nem que eu seja mais ou menos feliz. E ser feliz é algo que, definitivamente, não depende daquilo que temos ou compramos. Eu encontrei a felicidade da forma mais simples possível: agradecendo a Deus por tudo o que eu tenho, todos os dias. A mim basta minha família, meu futuro marido, meu cachorro, meus poucos amigos, minha vida profissional e meus momentos de descanso e prazer. Basta mesmo, de verdade.
Vou dizer uma coisa: eu sou muito mais feliz em Osasco do que muita gente em Paris. Estão vendo como é relativo? Não que eu não queira ir à Paris algum dia, claro que quero, mas não condiciono minha felicidade a isso. Sou feliz aqui e serei quando puder ir a Paris e quando puder realizar todos os meus outros sonhos.
Porque o eternos insatisfeitos são também, invariavelmente, os eternos infelizes.
P.S.: Quem se interessou pelos Florais de Bach pode ler mais a respeito clicando aqui. E se quiserem, dá até para comprar online.





Arquiteta. Fashionista. 29 anos. Casada. Extremamente otimista. Consumista. Chatinha. Metódica. Nerd assumida. A little bit Monica Geller.





































































