14 janeiro 2011

Você é o que você come? Ou o que você veste?

Por: André Celegato.

Certa vez estava eu no botequim (é mais classudo que bar) conversando com um amigo meu (este cético e sem paciência alguma, totalmente Saraiva, manjam?) sobre o bendito e famigerado Capitalismo. Sabemos que bar, digo, botequim, é o lugar onde todos somos iguais. Nele, pessoas como você, como eu, homens, mulheres, nenhum dos dois, rockeiros, pagodeiros, agnósticos, cretinos, sensatos, enfim, somos todos iguais dentro deste estabelecimento. 

Falávamos sobre emprego, subsistência, salários, compras, etc. Eis que um cidadão sentado no banco ao lado ocultamente escutava nossa conversa. Minutos após a conversa evoluir o sujeito se intromete e interrompe a conversa impondo seu ponto de vista ao assunto discutido: "Capitalismo é uma merd*! Eu sou Marxista e apóio a igualdade de bla bla bla....". Meu amigo, muito sutil, olha o infeliz dos pés a cabeça e diz: "Filho, aposto duas cervejas que você faz História na USP!". O rapaz perplexo concorda.

Desavenças e opiniões apaziguadas, mais tarde perguntei a este meu amigo como ele sabia que o rapaz fazia História na USP. Desconfiava que ele pudesse conhecer o perfil do indivíduo devido ao cunho do assunto, mas não. Ele me diz: "Ah! André.. o cidadão usa boina, a barba está por fazer, traja camiseta do Che Guevara e bermuda cargo cáqui, calça papetes e tem uma bolsa estilo carteiro (conhecida com tira-colo)! Tem um neon na testa dele dizendo que faz História na USP!"

É elementar, meus caros Watsons, que neste caso a personificação da ideologia do sujeito foi evidente, porém, nem por isso concordo que "você é o que você veste!"

Eu, por exemplo:

- Tenho um óculos Herchcovitch, bem "Família Restart". (Isso quer dizer que eu ouça essa música "dos infernos" simpática? - NÃO!! Heavy Metal rules!)

- Coleciono e uso camisas de futebol de clubes pequenos do mundo a fora (Isso quer dizer que eu seja atleta ou coisa parecida?)

- Uso camisas xadrez! (Sou indie ou lenhador?)

Então, meus amigos e amigas, usem o que quiserem, misturem cores e modelos. Sejam sinceros e não impostos pela "tendência". Se acreditam veêmente que o Dee Snider e o Twisted Sister são os princípios da sua vida, então sejam ‘glam’, repiquem seus cabelos e sigam em frente. Se acham que não vale a pena, então vistam-se como quiserem e ouçam o som da mesma forma. O sentido da música será o mesmo! Capicce?

We're Not Gonna Take It, my friends!

20 comentários:

Lili disse... - Responder comentário

haha conheci meu noivo em um ônibus rodoviário indo pra SP. Ele estava com mais dois amigos, e mesmo eles não tendo nem tocado no assunto, só pelo ar da conversa pensei que fossem da engenharia na USP. Bom não eram da USP, mas eram da engenharia, um deles do ITA. As caras de nerd não esconderam isso hehe

Eneida disse... - Responder comentário

Muito boa essa história!
Realmente muitas pessoas literalmente vestem suas ideologias.
Também penso: precisa tanto?
Concordo com você que não há necessidade de se estigmatizar nenhuma idéia.
Adorei o post!
Concordo com você!
Beijo!

ValLindinha disse... - Responder comentário

Muito legal! Seu noivo escreve muito bem. Porque vc não divulga o blog dele? Acho que teria boas adesões

Josiane Cristina Armani Dagort disse... - Responder comentário

Olá Andre,
Concordo com vc...mas as vezes estamos tão alienados e envolvidos com nossa ideologias que cara ....isso transparece de todas as formas possíveis!!!Nem todos são assim, mas nesses casos é que a gente consegue observar quem é original ouquem força um imagem ccomo é o caso da "familia Restar" que sob o meu ponto de vista traduz NADA, ou até traduz...imagem forçada, falta de originalidade e personalidade...parecem fantasiados como numa peça teatral de circo...
Abraços
J^^h

Anônimo disse... - Responder comentário

O noivo escreve bem em?! O:

Ro Malet disse... - Responder comentário
Este comentário foi removido pelo autor.
Ro Malet disse... - Responder comentário
Este comentário foi removido pelo autor.
Ro Malet disse... - Responder comentário

Oi André,

Mas acredito que nosso do menino da historia, não foi o estilo que seguiu a ideologia, mas sim a ideologia que segue o "estilo" entende?

Aqui em Porto Alegre nós cansamos de ver estudantes de história, ciências sociais e afins da UFGRS que seguem uma modinha e são facilmente reconheciveis por tal.

É uma pena que a ideologia deles é uma ideologia pré-moldada.
O que a faculdade está formando mesmo?

Talvez esse menino do buteco fosse assim... aí de cara seu amigo reconheceu.

Por outro lado concordo com o que tu dissestes.

Eu mesmo, hoje em dia, uso de tudo, tudo que gosto. Então as pessoas me vêem delicadinha e não acreditam que eu gosto de doom metal por exemplo... Talvez eu tivesse que seguir a linha depressiva (está longe de mim ser assim) e andar toda de preto. Já andei toda de preto, pagando de gótica por ai, mas felizmente a gente evolui. Hoje com meus quase 25 anos, minha maturidade, conhecimento e segurança ( q a idade nos dá) sei que não preciso provar nada para ninguém.
E sei que posso melhorar ainda mais nesse aspecto.


Beijos e adorei o texto.

Ju disse... - Responder comentário

Aeee, bacana!!!!
os posts serão semanais????

é foda,mas as pessoas têm essa tendência de rotular tudo né, parece que é uma coisa obrigatória vc ter que rotular algo, e isso acaba valendo também pra o vestir.
nunca pertenci à tribo nenhuma...lembram da época em que tinham as pattis e os boyzinhos?as meninas usavam o msm corte de cabelo,umas argolas imensas,a mochila da escola era em formato de ursinho de pelúcia,e colocavam bandaids neles,e uns penduricalhos horríveis...(olha só o que eu fui desenterrar)
enfim,nunca segui nada e mesmo assim sempre fui rotulada.
se eu uso xadrez é aquela tiração de sarro de q vc tá vestida pra festa junina.(pelo menos poderiam ligar isso ao grunge né)
a vida toda eu usei all star,ia pra escola de all star,mas não, vc usa all star pq vc é emo!
tb já ouvi a merda de que ser da família restart por causa de um óculos, que fala sério é mais antigo que a gente!
eu não ligo, eu uso o q eu gosto, independente de ser algo característico de alguma tribo, fase, etc...

As pessoas poderiam se preocupar menos com o que o outro veste e se preocupar mais com o que elas verdadeiramente são!

Jowzinha disse... - Responder comentário

Eu axo q esse negócio de aparência, emabalagem em relação ao conteúdo é mto complexo pq mtas pessoas vestem tendências e n sabe nada do conceito daquela tendência.
É só pq viu fulaninho em tal lugar dizendo q isso e aquilo e pronto!

Realmente aki mesmo em Natal na UFRN eu já vi figuras como essa bem como figuras q adoram criticar o jeito dos outros por ser ou deixar de ser algo.
Axo isso um saco!!!
Cada um sabe o q é melhor e tem que ser o q quiser...

Texto inteligentíssimo por sinal, André!!!
Que mal te pergunte, vc estuda?

=**, Jowzinha

Viviane Moreira disse... - Responder comentário

Ótimo texto e concordo muito com o André!
Estarei ansiosa pelo próximo texto!!!
Bjsss
Vi

StayU disse... - Responder comentário

Nossa, detonou!! Sempre pensei isso... principalmente qdo a onda emo veio e roubou um monte de coisas legais que a gente usava... Mas eu nao tava nem aí, e segui firme nos cintos de tachinas e all stars! rs
Que legal ler isso... Comecei meu blog essa semana bem com essa ideia... o "StayU" ("permaneça você"), que segundo o autor da música de mesmo nome, é uma das coisas mais difíceis de se fazer.
Mas vamo lá!
Abraço para o autor, ótimo texto, arrasou!

Nath disse... - Responder comentário

Eu faço História na USP, e só tenho um comentário a fazer:
Faltou citar a caneca de plástico pendurada na bolsa (mas ok, devia estar dentro dela...). Porque agora ser ecologicamente consciente faz parte de ser cult, entendeu?
Adoro o blog, e a Lily é linda, rsrs.
Abraço, Nath
p.s.: devo acrescentar que "ser marxista" é método de pensamento (científico, como na psicologia vc é freudiano, lacaniano, etc), o que é muito diferente de ser comunista/socialista (ideologia).

Rascunhos DÌtala disse... - Responder comentário

Faço História, ou fazia, me formei esse dias, meu namorado usa barba por fazer e é um leitor de Marx, sem ser um marxista, mas concordo com vc, usar xadrez não quer dizer que vc mora em Smallville ou é grunge, pode ser, ou não!! Não somos o que vestimos, mas o que vestimos transmite uma mensagens, e o que estamos querendo dizer é o que vale. ps: adoro o "estilo historiador em formação" seja USP, ou o que seja
bjs e adorei o post

Anônimo disse... - Responder comentário

as vezes o marxista do boteco so concordou pra ganhar as cervejas :P

Anônimo disse... - Responder comentário

Formei em História na USP e sou arrumada, maquiada e fashionista. É claro que alguns de meus colegas enquadravam neste estereótipo, mas não somos todos um clichê.

Nath, valeu o comentário: ser Marxista não significa votar no PSTU ou fazer revolução armada. Bjos Lily, adoro o blog.

Cris disse... - Responder comentário

Caramba!! Falei sobre uma situação parecida em uma aula hj hehe. Mas acho que pessoas assim não estão apenas na USP, elas tb estudam na Anhembi-Morumbi e mackenzie, que são faculdades caras e bem capitalistas. O problema não é o cara ser marxista, o problema é ele querer dizer o que é certo e errado, pq o mundo não é dividido entre certo e errado não é mesmo?!

André, meu namorado leu o post sobre o cigarro e curtiu mto, ele é fumante, rsrs, foi mto bacana ver ele lendo o blog da Lily sem dizer "Pô roupas amor!!" heheh

Nane disse... - Responder comentário

Adorei o post e é pura verdade.
Temos que nos vestir como nos sentimos bem e vestir pra gente e não pros outros.

Bjs
=]

Anônimo disse... - Responder comentário

O engraçado é como todo mundo nestes posts fica o tempo todo tentando provar como é original e segue suas próprias "vontades"; como são "indivíduos" que têm as suas tendências. O cara da história estava se vestindo da forma como a cultura de grupo dele acredita ser esteticamente "interessante". E é dessa forma que ele se sente bem. Assim como a "família Restart", assim como todos nós aprendemos que o bonito é relativo e nos vestimos da forma como nos sentimos confortáveis. Foi isso que, acredito, o André quis dizer (independentemente do conteúdo da conversa no bar/botequim).
E é ÓBVIO que TODO MUNDO rotula o outro quando vê! Você tenta identificar quem é a pessoa, mesmo que depois você perceba que suas primeiras impressões estão erradas. Lógico que quando vejo alguém vestido de glam, sei que ele curte um hard! Isso é a coisa mais normal do mundo e não adianta que mesmo que vc não faça por mal, nem pra julgar, vc tenta ler o outro para poder se comunicar com ele. Tanto que o conteúdo descompromissado do André gerou alguns comentários sobre os restarts e os historiadores, ou seja, julgamentos. Vamos ser felizes de qualquer jeito... Viva o Twisted Sister!!! srsrsrs

Anônimo disse... - Responder comentário

O engraçado é como todo mundo nestes posts fica o tempo todo tentando provar como é original e segue suas próprias "vontades"; como são "indivíduos" que têm as suas tendências. O cara da história estava se vestindo da forma como a cultura de grupo dele acredita ser esteticamente "interessante". E é dessa forma que ele se sente bem. Assim como a "família Restart", assim como todos nós aprendemos que o bonito é relativo e nos vestimos da forma como nos sentimos confortáveis. Foi isso que, acredito, o André quis dizer (independentemente do conteúdo da conversa no bar/botequim).
E é ÓBVIO que TODO MUNDO rotula o outro quando vê! Você tenta identificar quem é a pessoa, mesmo que depois você perceba que suas primeiras impressões estão erradas. Lógico que quando vejo alguém vestido de glam, sei que ele curte um hard! Isso é a coisa mais normal do mundo e não adianta que mesmo que vc não faça por mal, nem pra julgar, vc tenta ler o outro para poder se comunicar com ele. Tanto que o conteúdo descompromissado do André gerou alguns comentários sobre os restarts e os historiadores, ou seja, julgamentos. Vamos ser felizes de qualquer jeito... Viva o Twisted Sister!!! srsrsrs

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