11 abril 2011

Sobre bullying, sobre solidão


Os recentes acontecimentos na escola de Realengo / RJ me fizeram pensar na parcela de culpa que cada um de nós tem sobre acontecimentos tão cruéis. A crueldade, meus amigos, está em todos os lugares e, muitas vezes, dentro de nós mesmos. Seria muito mais fácil pensar em um psicopata solitário, em sua única e absoluta culpa, mas será que é simples assim? Será mesmo que ele é o único responsável pela tragédia que vimos acontecer?

Antes de expor minha idéia, vou logo me defendendo: não, eu não estou justificando os atos desse cidadão. Não, eu não acho que o suposto bullying que ele sofreu naquela escola justifique a atitude insana e covarde que ele teve, mas eu sempre me proponho a refletir sobre as circunstâncias e tentar (pelo menos tentar) entender os dois lados, mesmo quando parece não haver razão para isso.

Eu não vou falar aqui da dor das famílias que perderam seus filhos porque dela já foi falada à exaustão. Nem no ato tresloucado de um rapaz que, apesar de psicológicamente abalado, sabia muito bem o que estava fazendo. Eu não acredito que ele não soubesse diferenciar o bem do mal, e eu posso até estar errada, mas não sou psicóloga, nem psiquiatra nem nada do tipo, então, se eu estiver falando besteira, por favor, alguém com conhecimento de causa, sinta-se livre para dizê-lo. O que eu quero falar é dos pequenos atos que possivelmente levaram aquele rapaz à essa atitude extrema.

Muito se fala a respeito do bullying. Até aqui, no mundo dos blogs, o assunto é bastante discutido. Mas é nas escolas e na infância que ele tem seu peso duplicado. Crianças e adolescentes que sofrem com o bullying têm suas vidas tranformadas radicalmente. Qual é o poder do bullying na vida de uma pessoa que já apresenta transtornos de comportamento ou psicopatias? Qual é a parcela de culpa dos pais e professores que não evitam essas situações?

Crianças são criaturinhas espertas sim, mas não conhecem, nem de longe, o poder devastador de uma piada, de um apelido inapropriado, da solidão dos excluídos. Porque é que os pais e os professores preferem, na maioria das vezes, se abster? Será que uma palavra de conforto ou um sermão de um professor teria a influência suficiente de evitar a tragédia que vimos na semana passada? Será que a solidão e a exclusão pelas quais passou o assassino de Realengo poderiam ter sido amenizadas? Eu confesso não saber, mas acredito sim que muito poderia ter sido evitado.

Vejam vocês, essa história toda me fez lembrar uma passagem triste da minha infância. Eu estava no 6º ano do ensino fundamental, estudava há anos com a mesma turma, éramos amigos inseparáveis. No início de mais um ano letivo chega uma nova aluna, de nome Samantha. Era era um garotinha linda, de pele clara e cabelos negros e cacheados. "Mas" ela era obesa e isso foi o suficiente para que fosse excluída pelos alunos já enturmados da nossa sala. Eu tentei puxar papo, mas nela percebi que havia um distanciamento - na época eu não compreendi, mas hoje compreendo perfeitamente. É bem provável que ela estivesse alí fugindo do bullying que sofrera em outra escola. E o que foi que nós fizemos para ajudá-la? Nada! Alguém teve a engraçadíssima idéia de nos levantarmos das cadeiras toda vez que ela se sentasse. Era divertido, a sala toda morria de rir. Até os professores riam. Meu Deus, porque eles deixaram que fizéssemos aquilo com ela? Porque é que eu não fui capaz de me opor à turma?

Seis meses depois, Samantha saiu da escola. Voltamos das férias de meio de ano e ela não estava mais lá. Ninguém tinha seu telefone, ninguém era seu amigo, ninguém soube para onde ela foi. Nenhum professor comentou o assunto, nenhum aluno questionou, nossas vidas seguiram e eu parei para pensar nela somente na semana passada. Como será que ela está hoje? Como foi que ela se sentiu sendo rejeitada e tendo que, mais uma vez, mudar de escola? Será que ela superou o trauma? Será que ela guarda mágoas de nós todos?

Quantas Samanthas e quantos Wellingtons existem? Quanto sofrimento tiveram que aguentar? Como saberemos de que forma vão lidar com suas dores? Cabe a nós aproveitarmos a oportunidade para refletir. Toda história tem dois lados, todo sofrimento tem consequências. Crianças são crianças, mas pais e professores precisam rever seus papéis em casos como esses, onde uma simples palavra pode ter o poder de transformar vidas.

47 comentários:

Patricia disse... - Responder comentário

Olá Lily, adorei o seu post!
Desde o início desta história, eu pensava sob este aspecto, mas não me senti à vontade para expor nos meus grupos.
Eu imagino e respeito a imensa dor dessas famílias, me emocionei quando um padrinho falou de sua afilhada morta, porém, não consigo parar de pensar no que levou este rapaz a fazer tudo isso, não justifica, mas explica.
Talvez, ao longo de uma vida ele não tenha encontrado respaldo, um ouvinte para ele falar sobre suas dores e aquele que não sabe falar, infelizmente, muitas vezes usa de violência para expressar seus mais sombrios sentimentos.
Tive uma palestra sobre bullyng e os psicanalistas enfatizaram a necessidade de fortalecer àquele que sofre o bullyng, a princípio, rebatemos, pois achamos que deveríamos repreender quem faz, porém, percebo que eles tem razão, àqueles que sofrem bullyng, quando fortalecidos poderão enfrentar a vida.
Um beijo!

Nai disse... - Responder comentário

Sim, eu concordo.
Sei que crianças podem ser muito cruéis, mais cabe aos pais e educadores mudar isso.
Bem que na verdade, eu acredito que os pais devam sim ir atrás, observar o comportamento de seus filhos e questionar a escola sempre que necessário. Porque tem muitos que deixam tudo correr solto como se a responsabilidade da criação de seus filhos fosse apenas da escola.
Nada justifica o que ele fez, mais ser virado de ponta cabeça em uma privada e alguém dar descarga não deve ter sido uma das coisas mais fáceis.
Beijus

Alessandra disse... - Responder comentário

Oi.
Eu fico indignada como depois de tudo ninguem põe a mão na consciência e pensa nos seus atos.Não é porque vc não xinga uma pessoa que vc não esteja praticando bullyng.Ficar quieto e deixar acontecer tbem implica.Eu fiquei enfurrecida qdo um amigo promoveu uma comunidade no orkut sobre uma garota que levou um fora no msn.Na comunidade tem foto e nome dela e pasmem 174 mil idiotas que se tornaram membros.Pq não divulgar projetos, doação de sangue,entidades carentes?Ficar humilhando uma garota que vc não conhece.
As crianças tem realidades diferentes.Pais ricos e pobres,vivos e mortos,doentes.Tudo o que elas querem é ir ao colégio se relacionar,ter amiguinhos.Mas ai eles conhecem algo terrivel o preconceito.Com quem será que as crianças aprendem a ser preconceituosas?
Ta na hora de mudar.
Bjos adoro vc.

Alessandra disse... - Responder comentário

Sim,seu texto traduz em gênero número e gral o que penso..abraços!

Anônimo disse... - Responder comentário

Oi Lily,
Eu também comecei a pensar desta mesma forma quando em uma reportagem do Fantástico, um homem deu seu depoimento como um agressor, e de repente, percebi que mesmo sendo vítima, eu também tinha sido uma agressora. Praticamente a mesma história que você contou. "Na onda da turma"...
Com relação a posição dos professores, leia esse artigo quando tiver um tempinho: http://www.catho.com.br/jcs/inputer_view.phtml?id=12435. Achei interessante...
bjinhu*

Tatiane disse... - Responder comentário

Penso da mesma maneira. Nada justifica um ato cruel como este aos olhos das familias que hoje choram, mas precisamos analisar os dois lados se queremos evitar uma nova tragédia como esta.

Mirella Guedes disse... - Responder comentário

Oi querida!
Estou te seguindo!
Está rolando sorteio de Páscoa em meu blog: www.mirellaguedes.blogspot.com
Participa! Beijos...

Greice Kölln Vipych disse... - Responder comentário

Triste isso tudo..principalmente o descaso dos adultos diante de situações como essas, que eu acho sim, que poderiam ser evitadas ou amenizadas...
espero que ao menos acontecimentos como este sirvam pras pessoas refletirem e tomarem atitudes mais humanas...

beijinhos!

Letícia disse... - Responder comentário

Visito muito pouco seu blog, mas confesso que o tema chamou a minha atenção.
E mais ainda ao ver que você pensa exatamente como eu, sobre esse assunto.
Todo ato têm uma consequência, mesmo que tardia.
Não acredito que as pessoas já tenham pré disposição à psicopatias, acho que "tais doenças" são instaladas pela sociedade e pelo modo de vida que aquela pessoa decide ter.

Eu lamento que as pessoas sejam tão "cegas" e não vejam que crueldade verbal leva à solidão, depressão, insegurança, baixa auto estima e etc.
Até tinha pensado em fazer um post sobre esse ponto de vista, mas você sabe..."o mundo" está cheio de pessoas em seus mundinhos em tons de rosa, achando tudo isso "feio, bobo e chato".
Afinal ele era só um psicopata.

E eu não acredito em psicopatia.

Letícia disse... - Responder comentário

Lily, palavras mal colocadas são terrivelmente cruéis e pense por quanto tempo não carregamos uma mágoa.
O grande problema do mundo têm sido o egoísmo e a incapacidade de colocar-se no lugar do outro (empatia).
É sempre muito bom ler textos como o que escreveu.
Julgar "um mau elemento" é sempre mais fácil que pensar "ele teve lá seus motivos".
Obrigada por responder. =*

Anônimo disse... - Responder comentário

Concordo com vc. Que bom que vivemos um tempo de conhecimento e informação e desta forma não devemos nos comportar da mesma maneira de antes. Que as pessoas não precisem mais passar por este sofrimento, e que quem passou por bullying, ou qualquer outro tipo de violência, tenha a sabedoria de NÃO passar essa bola pra frente. Bjs!

Alessandra disse... - Responder comentário

Nossa, quantas Alessandras andam aparecendo...rs
Lily, eu teria pelo menos duas histórias pra contar a esse respeito, mas são coisas muito íntimas, então, deixo aqui meu total apoio à sua reflexão e o desejo de que os pais, com a consciência maior que existe (deveria existir) hoje em dia, ensine aos filhos que esse tipo de atitude simplesmente não é correta. Mas o ser humano é complicado...
Como banir a crueldade? Será que ela é inerente ao ser humano, manifestando-se em menor ou maior grau de acordo com a criação e o ambiente social? Será que, repetindo o que escrevi no blog da Mel, um professor meu tinha razão quando dizia em aula que "o ser humano é uma experiência que não deu certo"?
Bj.

Renata Lima disse... - Responder comentário

Lindo blog!!!!!!!!!!!!
Passa lá no meu..
Tem esmalte da semana a la Phillip Lim... Acho que você vai gostar!!!
bjos

http://blogamodaantiga.blogspot.com/

Amanda Lorenna disse... - Responder comentário

Ai gente que é tudo lindo por aqui. Esse caso de Realengo não envolve só Bullyng. Ele já era uma pessoa problemática, surtada, ter sofrido bullyng só agravou mais a insegurança dele para consigo, porque para com os demais ele foi bem seguro ao entrar em uma escola com duas armas e ter capacidade mental para atirar em alvos inocentes com tiros certeiros e recarga de arma. Revoltante! ;~

Lily Zemuner disse... - Responder comentário

Exatamente, Amanda. E é por isso que eu digo que não justifico os atos dele de forma alguma, apenas questiono até que ponto o bullying que ele sofreu pode ter ajudado a compor seu caráter e incentivado sua atitude tresloucada. Será que, se ele não tivesse passado por isso, teria feito o que fez? É uma pergunta, não uma afirmação. Eu realmente não sei. Sei que muitos que sofrem bullying não saem por aí atirando em pessoas inocentes, mas alguns, talvez por já terem desvios de conduta ou psicopatias, o fazem. O fato é que o bullying precisa ser analisado e exterminado, porque não se sabe que tipo de consequências pode ter na vida de uma pessoa.

Outro exemplo é o garotinho do vídeo que ficou famoso no youtube há algumas semanas. Quanto ele não sofreu até ter uma explosão que o fez bater no colega daquela forma? Será que se ele tivesse uma arma, não a teria usado?

Desabafo disse... - Responder comentário

Esse massacre foi um horror. Eu só tive coragem de escrever sobre ele hoje. É um assunto que se divide. Se divide em responsáveis indiretos, responsáveis passivos...
Muito triste.

Priss disse... - Responder comentário

Post bacana Lily, pais e professores devem servir de referência para seus filhos e alunos, é lamentável que um um adulto veja graça nesse tipo de comportamento e não repreenda e eduque quem está praticando, o bullyng pode sim causar um enorme estrago na personalidade de uma criança que pode vir a se tornar um adulto inseguro ou violento.

Raýla disse... - Responder comentário

Olá =)
Eu sempre visito seu blog, mas nunca comento, hoje resolvi comentar porque preciso dizer que concordo com TUDO que você falou.
O que esse rapaz fez naquela escola foi horrível e nada justifica, mas ao mesmo tempo ele também é vítima. Nossa sociedade vem criando pessoas revoltadas, tantas tragédias acontecem, tantos suicídios, não é todo mundo que consegue reverter esses traumas em algo bom. Eu acho que temos sim uma parcela de culpa. E também parei pra pensar no meu comportamento de escola, nunca fui do zoar ninguém, mas também nunca fiz nada pra impedir que certas coisas acontecem.
Eu escrevi algo semelhante no meu blog, se quiser ler http://raylabenazzi.tumblr.com/post/4453433755/e-desta-massa-que-nos-somos-feitos-metade-de (não é auto promoção, é só compartilhamento de pontos de vista).

Enfim, gosto muito do seu blog, vou começar a comentar mais vezes

Beijo
=*

Gabi disse... - Responder comentário

Querida,

Eu acho que no fundo todo mundo se sentiu matando um pouco aquelas crianças. Pq o Wellington é fruto da crueldade humana. Da crueldade de todos nós. Somos feitos de amor e também de crueldades. No mesmo dia da morte destes jovens, também morreram varios outros. E pq somente por eles ficamos tristes e chocados? Eu acredito que o sentimento de culpa é maior que o de tristeza. Sentimos culpa por termos uma vida melhor do que a do wellington e nunca termos feito nada por ele. Sentimos culpa por não termos segurado na mão da samantha. Senti uma culpa extrema por todos os excluídos da minha época de escola.

O que não dá pra aguentar é a globo e mídias em geral repetindo o erro dos EUA no episódio de Columbine que é o de caçar culpados. Afinal, foi a "globo" que matou aqueles meninos. Massificando um modelo de beleza e conduta no Brasil. O mundo é perverso e gera perversidades.

Anônimo disse... - Responder comentário

Pois é, muita gente acha que não cometeu bullying, mas bullying é também o fato de rejeitar determinada pessoa, de ouvir a menina popular dizer pra sala toda que a pessoa X não é legal o suficiente, e aí a turma toda se afastar da pessoa. Eu sofri isso no colégio e digo, esse tipo de trauma não passa nunca. Você supera, claro, tenho uma vida considerada bem-sucedida, mas no fundo aquela rejeição sofrida na minha pré-adolescência sempre tá lá guardada. E até hoje tenho problemas de sociabilidade por conta desse trauma. Antes de conhecer direito as pessoas já parto do pressuposto que serei rejeitada.

Anônimo disse... - Responder comentário

Eu concordo com tudo oq vc disse Lily, lembro quando saiu o filme "Tiros em Columbine", aquilo me chocou, me machucou tanto, por que quando assisti pensei: se na hora em que você está sendo exposto ao bullying e vc tem uma arma na mão, oq vc faz? Aguenta ou atira?
Somos humanos, temos fraquezas, nada justifica matar crianças, nada, mas nada justifica alunos enfiarem a cabeça de alguém na privada e não serem expulsos, isso tb é crime! E sim eu acho que eles tb são culpados pelo oq esse moço fez, 1/10 da culpa, mas não deixa de ser culpa.
Só quem sofreu bullying pode dizer o qto é dificil, o qto dói, é preciso muitaaa força, muita capacidade de superação, e sinto dizer a maioria NÃO supera!
Beijos Lily!

Júlia disse... - Responder comentário

Nada como ler um texto racional vez por outra. Muito bom.
=**

Jamilly disse... - Responder comentário

Oi, frenquento seus blog entre outros de moda, á algum tempo, mas para me manter informada, sabe.
Mas hoje e não só hoje vi, esse blog de moda se transformar em um texto tão singelo. Sempre sofri bullyng, no primário eu tinha apenas uma amiga e nós duas éramos excluidas por sermos eu, magra e ela gorda. Mas no ensino fundamental , que tudo mudou passei todo esse periodo sofrendo bullyng de todaaa a escola, cheguei a reclamar mas nada foi feito ou resolvido , pelo contrário, no final do 9 ano, eu coloquei um basta e mesmo alguns fantasmas que tentaram continuar essa maldade, quando ocasionalmente mudei de escola, eu coloquei um basta novamente, ainda sofro sim por isso, mas comigo mesma, não fazem isso mas comigo, porém sempre tenho uma certa dificulade para me relacionar, e uma timidez e ansiedade . Mesmo relativamente levando uma vida normal e quase terminando o ensino médio, com louvor. Hoje os mesmos que zuavam de mim, ou apenas não faziam nada, alguns se lembram, mas outros apenas olham para mim e se pergunta nossa, ela mudou, e nem sabem pelo o que eu sofri,nem se lembram. Nunca quis me vingar de nenhum deles, eu tinha um único objetivo, ser melhores que eles, passar em uma boa faculdade, ter um bom emprego e ser feliz, não pra desvalorizar ou algo parecido quem me fez passar por tuddo isso, mas para um dia, se por acaso alguém se lembrar disso eu dizer, eu me lembro de todos os insultos de tudo, não tenho magoá, mas hoje superei tudo e estou bem.

Lara disse... - Responder comentário

Sabe o que lembrei: que quando isso acontece nos EUA, as pessoas sempre dizem "vejam o tipo de pessoa que a sociedade americana consumista e individualista está produzindo". Mas na hora de fazer a autocrítica - a coisa aconteceu no Brasil - as pessoas preferem culpar o assassino unicamente.

Júlia disse... - Responder comentário

Mais uma comentário - é triste ver como essa violência se perpetua. É terrível pensar que os parentes desse rapaz estão com tanto medo de ir buscar seu corpo por temer represália dos parentes das vítimas, que ele pode ser enterrado como indigente. Para um povo que diz pedir um basta à violência, isso é, no mínimo, uma incoerência.

Deveria estar estudando disse... - Responder comentário

Foda. Não sei nem o que dizer.
Sofri essa merda também. Tinha uma filha da puta, na primeira série, (primeira, minha gente) que roubava meus doces e lanches todos os dias e dizia que ia me bater. Depois teve outra na 5ª série, mas dessa eu me vinguei. E mais teve outra, lá pela 3ª série, erámos 3 amigas, ela me tirou do grupo dizendo que só poderia ter uma amiga. E a FDP ainda me fez irritar uma telefonista pedindo o telefone da xuxa, eu nem sabia que estava passando trote, ela ficava rindo enquanto a telefonista dizia que sabia onde eu estava e que a polícia ia me prender. Corri pra casa e passei o resto do dia debaixo do cobertor, morrendo de medo. Bitch! Passei tanto medo, nunca vou esquecer.
Criança sofre, viu? e crianças são maldosas sem saber.
Daí o maluco é doente, sofre isso, o país é uma piada e qualquer idiota compra uma arma...e acontece o que aconteceu. Triste, muito triste.

Tati disse... - Responder comentário

Oi Lily,

Não acompanhei muito a transmissão da imprensa do caso do Realengo porque sinceramente, a imprensa no Brasil me enoja. Mas vi algumas entrevistas bem interessantes com alguns psicanalistas que deduziram pela carta que Wellington deixou que ele era um paciente psicótico (mais popularmente conhecido como esquizofrênico). De uma forma bem simplória, mas bem simplória mesmo, porque a coisa toda é muito complexa, a psicanálise estrutura três tipos de personalidade que se formam na infância: a neurótica (somos nós, as pessoas comuns), a perversa (os mais conhecidos psicopatas) e a psicótica. A personalidade neurótica é regida pelo Princípio da Realidade, que nos impede de fazer coisas absurdas, tais como sair pelados na rua ou bater em alguém num momento de raiva. No psicótico, esse Princípio não existe. A realidade que ele constitui em sua mente é diferente da nossa, e ele é regido por esse mundo fantasioso que muitas vezes é cruel.
Não tem como se afirmar essa característica na personalidade do rapaz do Realengo e com certeza essa não é uma justificativa para os seus atos (o fato dele ter atacado a escola pode ter a ver com questões antigas, como o bullying, mas numa mente psicótica é difícil afirmar - algo que ele sentiu como ameaça, pode na verdade não ser real). Mas tendo a acreditar, pelo fato de ele ter se matado logo após. Se fosse um perverso, provavelmente ele teria assassinado as crianças e depois ficaria assistindo o final do que fez.
Enfim, acho que a maior lição que esse caso nos trás é sim a facilidade como uma pessoa nesse estado tem para conseguir arma e munição. Se ele fosse diagnosticado como em surto por exemplo, ele não seria responsável pelos seus atos, o responsável seria quem deu a arma a ele. E da mesma forma que Wellington conseguiu a arma, tantos bandidos e policiais tem acesso a elas e saem por ai matando crianças nas favelas, estes sim por pura crueldade e falta de cuidado do poder público.
A discussão do Bullying é extremamente válida, e acho que os adultos ainda não se deram conta de que as crianças não nascem achando o gordinho, o nerd, a menina de cabelos encaracolados pessoas diferentes e que merecem desprezo. Se as crianças em algum momento na escola fazem essa discriminação é porque elas aprenderam com os adultos, em casa, na escola, assistindo televisão. MAS FORAM OS ADULTOS QUE AS ENSINARAM A SER PRECONCEITUOSAS!!
Eu vi muita gente colocando a culpa no Wellington (e não o eximo disso, se ele estivesse vivo, teria que ser internado e se tratar), esquecendo de olhar para seu próprio espelho interno, as vezes em que uma atitude sua causou a dor em outro ser humano. Por isso seu post é tão válido, e por isso eu escrevi esse comentário.
Ficou enorme mas espero que tenha ficado claro!!
Espero que a memória dessas crianças seja respeitada e, quem sabe, um dia, esse tipo de coisa será exceção e não regra!
Beijos,
Tati

Mary OML disse... - Responder comentário

Fiz um post relacionado ao bulling sem me referir a ele diretamente.
Usei as antigas palavras (que agora são conhecidas como bulling): RESPEITO E DISCRIMINAÇÃO.
Eu nao te culpo por você ter agido daquela maneira até porque sei que também, na minha imbecil inocencia, achei que era "a engraçada", sendo que na verdade eu estava sendo a mais ignorante da turma. Sei que cabeça de criança não sabe diferenciar brincadeira de mal gosto com discriminação.
Mas sei que existe uma parcela de culpa na educação que vem de casa. Se todos respeitarem, o mundo irá melhorar ao menos um poucão.

Beijos Lily.

Tati disse... - Responder comentário

Ahhh Lily, como você gosta muito de ler, um livro MARAVILHOSO sobre o assunto é "Precisamos Falar sobre Kevin". O livro é realmente sensacional, uma experiência única, um assassinato numa escola sob o ponto de vista da mãe do assassino. Quando eu li fiquei por muito tempo angustiada e em crise, mas é uma leitura que todo ser humano que pretende passar por esse mundo de uma forma mais consciente precisa fazer!!!
Beijos

LaReK disse... - Responder comentário

Concordo com vc em tudo, Lily. E fico pensando em quantas vezes as pessoas deixaram esta pessoa de lado, porque era "esquisito" ou "meio louco"... Como vc disse, nada justifica o que ele fez, mas precisamos pensar sobre o que aconteceu e a responsabilidade da sociedade.

Beijos!

Mog - Coisas de Oncinha disse... - Responder comentário

Lily, texto incrível.

Concordo com absolutamente tudo que você disse. E sim, todos nós quando crianças vimos e passamos por situação iguais a que você comentou sobre a sua "amiguinha" Samantha. E, nós, pessoas "boas" hoje, com bons sentimentos, no momento da infância sabíamos que aquilo era errado, mas o "fazer nada" para evitar também foi errado.

No momento que soube sobre a história do "atirador de Realengo" eu olhei para o meu marido e disse: "estou triste por esse menino. Tenho pena dele".

Ele me achou louca, disse que eu teria que ter pena das 12 crianças mortas e das outras feridas. Mas eu tenho pena sim, pois muitas mais sofrem e sofreram igual ele.
Nada justifica, como você mesmo disse, mas é triste saber que o bullying existe sim, e que acontece esta abstenção por parte de pais e professores no momento da educação humana para as crianças.

E que nós, muitas vezes, somos culpados por esta reprodução de preconceitos "bobos" mas extremamente danosos na formatação de uma personalidade.

Beijocas e continue escrevendo textos assim.
Você é inteligente demais, e expõe as idéias de maneira incrível para nós, leitoras.

Beijocas

Anônimo disse... - Responder comentário

Lily, leio seu blog a algum tempo e embora já admire algumas atitudes suas nunca parei pra fazer qualquer comentário; acho que sou como boa parte de suas leitoras e como vc, uma mulher que ama moda, maquiagem, beleza e etc, porém, tenho me questionado se não estamos nos esvaziando cada vez mais de coisas como "humanidade", valores e outras coisas que não se vê através de maquiagem... Confesso que mesmo sem te conhecer, o teu blog me passa uma coisa bem diferente do que tenho visto por aí, vc tem uma simplicidade que brilha os olhos e a torna ainda mais bonita do que suas criações de moda (que tb são lindas) e esse texto me demonstrou que não me enganei a seu respeito, foi uma prova brilhante de misericórdia e humanidade que precisamos ter até com as pessoas que mais precisam, como esse tal Welinton que por mais cruel que tenha sido e se transformado, um dia ele pode ter sido apenas um menino acuado pedindo socorro... Peço licença para reproduzir seu texto (com a sua autoria é claro, para minha lista de e-mails. Parabéns por fazer a diferença mesmo em meio a esse nosso mundo aparentemente tão superficial.

Anônimo disse... - Responder comentário

Oi Lily. Te visito sempre mas nunca comento aqui. Tenho um casal de filhos pequenos e por saber o que é sofrer de bullying, tento fortalecer a auto-estima deles, para que não sejam potenciais vítimas. Sem querer parecer heroína, procuro educar meus filhos para que não sejam também agressores. Não os deixo xingar nem colocar apelidos. Nas festas de aniversário chamo todos os amiguinhos, mesmo aqueles que eles dizem que não gostam ou não querem que venham. E procuro estar atenta aos sinais de angústia e resistência em ir à escola. Quero que meus filhos sejam felizes mas que também se preocupem com a felicidade dos outros. Faço o meu dever de casa. Espero que funcione. Um beijo

Liana Barros Daiha disse... - Responder comentário

Excelente texto, amiga.

Como mãe, eu tenho muita preocupação com o assunto. Mas me sinto um pouco diferente da maioria das mães num ponto: enquanto elas estao preocupadas se seus filhos estão sofrendo bullying, eu estou preocupada se o meu filho está sofrendo e se ele está PRATICANDO. Quando criança sofri um pouco com isso, nada que me traumatizasse, mas sei o quanto é ruim e evito que meu filho tenha qualquer tipo de comportamento agressivo com outras crianças. Não suporto ver alguém ser histilizado ou desprezado e tento ensinar a ele que esse comportamento não é legal.

Bom seria se toda mãe pensasse que nossos filhos podem estar em qualquer um dos lados da história. Beijos!

maite disse... - Responder comentário

Lily que texto mais realista...você tem razão e as crianças por diversas vezes são cruéis e o que houve é muito muito triste..

Amoreira disse... - Responder comentário

Gosto muito dos seus textos e da forma que você escreve. Concordo com tudo que disse, toda história, por pior que seja, tem sempre dois lados. Jamais será possível defender alguém que matou crianças inocentes, mas muito mais do que simplesmente julgar, é preciso refletir, quem sabe em uma próxima vez, através de pequenos atos, tanta tristeza possa ser evitada.
Um beijo,
Ana

Livea Faria disse... - Responder comentário

Concordo com você, novamente, em gênero, número e grau.
Sou professora de Educação Física e sempre, sempre, sempre me oponho a estes tipos de situação de retalhação de crianças que sofrem bullying. Quando ocorre em alguma turma de algumas crianças ficarem com apelidinhos com outro(a), eu paro minha aula na hora e converso com eles sobre este tipo de atitude. Porque eu como várias outras pessoas já sofreu com isso e eu não quero que uma coisas dessa passe por mim e eu faça o mesmo que fizeram na minha época... NADA!

Muito boa sua iniciativa em falar sobre isso. Mostra sua inteligência, atitude e personalidade forte em tocar em uma assunto que a maioria das pessoas tem medo de mostrar a cara e falar.

Aline Silva disse... - Responder comentário

Lily, vc foi muito feliz nas suas colocações neste post...parabéns!!!
Sou mãe de uma adolescente de 12 anos e aqui na mimha casa eu não permito sequer comentários de gozação com o próximo, seja lá quem for...minha filha é criada para ser um ser humano que respeita, aceita e cuida do outro seja o colega de sala, o amigo da rua, etc e assim sei que estamos contribuindo para que monstros como esse rapaz não sejam fabricados com nossas próprias mão. Vc é fantástica...bjim o.O !!

Cris Holanda disse... - Responder comentário

Lily, lembra que te falei que estudamos na mesma escola, um tempo atrás, né ? Sua história, me fez lembrar de um episódio parecido, também lá. Entrei no nosso colégio na 8ª série, e uma menina também. A sala já toda enturmada, mas consegui me encaixar. Ela não. Já sofria também com as piadinhas de mal gosto desde a outra escola, e continuava sofrendo no colégio novo. Ela se formou, fez PD...eu tenho contato com ela até hoje, porém, ela com 30 anos, não consegue ter namorados, toma remédios controlados, tem problemas seríssimos com a imagem: emagrece horrores, engorda o dobro ! é dependente da mãe...enfim...a vida estragada ! Nem trabalhar consegue...Esse assunto realmente é seríssimo, e sabe, começa dentro de casa, com a responsabilidade dos pais ensinarem que existem diferenças e elas devem ser respeitadas.

Cris disse... - Responder comentário

Muito bom seu post. Crianças podem ser más, ainda que sem intenção. Conheço muita gente que está criticando o bullying e eu vi fazer a mesma coisa muitas vezes. Tem uma conhecida minha que no Facebook dela está divulgando a adoção de animais, dizendo que abandonar os bichinhos é crime, mas eu que conheço a família dela sei que eles tinham um gatinho, e por acharem que ele estava enchendo o saco, miando muito e tal, levaram para um lugar bem longe e soltaram, largaram o coitadinho no meio da rua...
O que pensar nessa situação? Quando vi a campanha de adoção pensei seriamente em comentar sobre o gato, mas achei melhor não arrumar confusão, minha mãe é amiga da família, essas coisas...mas eu realmente quis falar um monte, sabe? Tomara que ela tenha se arrependido...
Sei que isso já é outro assunto, mas o que eu quero dizer é que criticar é muito fácil, quero ver agir. Agora todo mundo fala de bullying, mas os que mais criticam são os mais preconceituosos, em boa parte das vezes.
Só Deus por nós.

Bjs!
Cris
www.novidadesdacris.blogspot.com

Biba Arruda Marques disse... - Responder comentário

Muito bom o que vc escreveu! Recebi da minha amiga Perla e concordo com tudo o que disse, vou indicar em meu blog. Esta antiga mania de não assumir responsabilidades perante atitudes e posicionamentos.
Desde os tempos de Adão e Eva era preciso encontrar um culpado para a atitude escolhido. Adão comeu a maça pq Eva deu para ele. Eva ofereceu o fruto proibido pq a serpente a convenceu. E quem escolheu o que devia ser feito?
Esta atitude parece estar arraigada dentro de nós, mas é preciso lembrar que a responsabilidade é individual. Obrigada pela bela reflexão, antes mesmo de ler suas palavras, era algo que nós estamos conversando aqui em casa com nossos filhos. Seu texto confirma tudo o que venho pensando, não adianta apenas fazer um desarmamento belico se tantas atitudes pessoais devem ser transformadas. O grande movimento, deve ser este: transFORMA AÇÃO. Nos dispor a abandonar tudo o que nao agrega. Começar olhando para dentro e tentar perceber em que aspectos temos sido coniventes com radicalismo, exclusão, preconceitos...Nesta Pascoa que se aproxima, muito mais que comer ovo de chocolate quero viver esta passagem da escravidão dos velhos habitos para ressuscitar uma nova pessoa.
Melhor, comparada a mim mesma. E que entao possa fazer diferença na minha casa, no meu quarteirao, na escola dos meus filhos, no sacolão, no ponto de onibus, por onde andar enfim...
Sozinha esta mudança é impossivel, mas sei bem em quem coloquei minha confiança!
Obrigada pela oportunidade!
bjao

Biba Arruda Marques
www.euaprendoenquantoensino.blogspot.co

Tui disse... - Responder comentário

Acompanho teu blog e gosto muito. Posts fantásticos.Eu sofri bullying e até hoje tenho sequelas, nunca mais fui uma pessoa segura.
Parabéns!

Anônimo disse... - Responder comentário

Muito pertinente e honesto seu post, parabéns.

Sou mais uma que sofreu na escola, sempre fui míope e aos 6 anos já entrei pra escola usando óculos "fundo de garrafa" e nunca tive aptidão para esportes. Claro que isso era um prato cheio para os colegas. Perdi a amizade de pessoas que julgava amigos de infância por que uma pessoa invejosa foi minando um a um, até que eles nunca mais falaram comigo. Na 8a série as amigas que me restaram mudaram de escola e uma outra invejosa colocou a turma toda pra fazer piada comigo, foi um dos piores anos da minha vida. Minha mãe falou com a orientadora, ela deu risada e não fez nada.

Sempre fui uma das melhores alunas, sempre tive médias acima de 9,0, 9,5. Minha "vingança" foi ser homenageada como melhor aluna na formatura, com a melhor média do curso e 10 no TCC. A invejosa que colocou a turma contra mim, fiquei sabendo anos depois, até expulsa de casa pela mãe já tinha sido. Depois soube que ela já perdeu a mãe, mas não me interessa mais.

Mesmo assim não posso dizer que tudo isso não me marcou. Ainda tenho minhas questões com aceitação e tenho minhas dúvidas se o fato de aos 30 anos ainda não ter conseguido me firmar profissionalmente não tem um pouco a ver com esse sentimento... Não sei dizer, quem sabe um dia ainda faça terapia para entender isso, mas procuro não sofrer com o que já passou e olhar pra frente.

Que Deus tenha piedade deste rapaz e dê muita força às famílias destas crianças, pois elas o sofrimento já iluminou a todas.

Shala Rina disse... - Responder comentário

Lily, seu post é excelente e gostaria de parabenizá-la por ampliar o olhar sobre esta questão tão complexa. Entretanto, devo salientar que não apenas os pais e professores de uma escola devem se envolver na formação educacional e, principalmente, emocional de uma criança. Para isso também existem os pedagogos, os psico-pedagogos, os psicólogos, os, psicanalistas e os psiquiatras, todos profissionais mais preparados para lidar com casos deste tipo do que os professores ou os pais, porém, que atuam em , diferentes áreas. Por eu ser uma paciente psiquiátrica, mas em tratamento e já estabilizada da minha doença, entendo bastante de psicologia, psicanálise e psiquiatria e acredito que utilizar o termo psicopata no caso de Wellington Menezes talvez não seja tão correto assim, como li no seu post. Sociopatia e psicotapia são transtornos mentais diferentes, e usar o termo psicopata no caso de Wellington talvez não seja o mais adequado. Um diagnóstico em psiquiatria leva cerca de dez anos para ser fechado, por isso, é impossivel saber ao certo o transtorno mental que ele possuía. Eu vejo que ele apresentava traços de esquizofrenia, por exemplo, por seu embotamento emocional - uma pessoa muito fechada e que não expressa emoções. Um esquizofrênico não tratado também pode cometer atos bárbaros como o ato de crueldade de Wellington. Eu discuto em meu blog a questão da obrigatoriedade de ser incluída em todas as escolas das redes pública e privada profissionais das áreas de saúde mental - psicólogos, psicanalistas e psiquiatras infantis e também também da área educacional - pedagogogs e psicopedagogos, para que eles atuem em sinergia e para que tragédias como estas possam ser evitads. Dou ainda sugestões para a revitalização e recontrução da escola depois deste trise acontecimento. Seu post foi muito bem escrito, abre o debate para uma discussão mais séria no país e foi também bastante pertinente. Só tome cuidado ao usar o termo psicopatia, pois, mesmo se você vir na televisão um psiquiatra afimando que ele era psiquiatra, isto só é possível de ser confirmado com uma profunda averiguação médica, que leva de meses a anos. De resto, parabéns pelo texto. Segue o link do meu post, que, de certa forma complemnta o seu: http://margaridasempapel.wordpress.com/2011/04/10/realengo-uma-tragedia-anunciada/

Shala Rina disse... - Responder comentário

Lily, seu post é excelente e gostaria de parabenizá-la por ampliar o olhar sobre esta questão tão complexa. Entretanto, devo salientar que não apenas os pais e professores de uma escola devem se envolver na formação educacional e, principalmente, emocional de uma criança. Para isso também existem os pedagogos, os psico-pedagogos, os psicólogos, os, psicanalistas e os psiquiatras, todos profissionais mais preparados para lidar com casos deste tipo do que os professores ou os pais, porém, que atuam em , diferentes áreas. Por eu ser uma paciente psiquiátrica, mas em tratamento e já estabilizada da minha doença, entendo bastante de psicologia, psicanálise e psiquiatria e acredito que utilizar o termo psicopata no caso de Wellington Menezes talvez não seja tão correto assim, como li no seu post. Sociopatia e psicotapia são transtornos mentais diferentes, e usar o termo psicopata no caso de Wellington talvez não seja o mais adequado. Um diagnóstico em psiquiatria leva cerca de dez anos para ser fechado, por isso, é impossivel saber ao certo o transtorno mental que ele possuía. Eu vejo que ele apresentava traços de esquizofrenia, por exemplo, por seu embotamento emocional - uma pessoa muito fechada e que não expressa emoções. Um esquizofrênico não tratado também pode cometer atos bárbaros como o ato de crueldade de Wellington. Eu discuto em meu blog a questão da obrigatoriedade de ser incluída em todas as escolas das redes pública e privada profissionais das áreas de saúde mental - psicólogos, psicanalistas e psiquiatras infantis e também também da área educacional - pedagogogs e psicopedagogos, para que eles atuem em sinergia e para que tragédias como estas possam ser evitads. Dou ainda sugestões para a revitalização e recontrução da escola depois deste trise acontecimento. Seu post foi muito bem escrito, abre o debate para uma discussão mais séria no país e foi também bastante pertinente. Só tome cuidado ao usar o termo psicopatia, pois, mesmo se você vir na televisão um psiquiatra afimando que ele era psiquiatra, isto só é possível de ser confirmado com uma profunda averiguação médica, que leva de meses a anos. De resto, parabéns pelo texto. Segue o link do meu post, que, de certa forma complemnta o seu: http://margaridasempapel.wordpress.com/2011/04/10/realengo-uma-tragedia-anunciada/

Shala Rina disse... - Responder comentário

Lily,

Parabéns por este post tão bem escrito. Achei muito nobre da sua parte ampliar o debate sobre este tema tão complexo e que chocou o Brasil. Entretanto, por eu ser uma paciente psiquiátrica também - porém em tratamento e já estabilizada nos meus dois transtornos (bipolar e borderline), eu gostaria apenas de salientar que é preciso ter um pouco de cautela ao se dizer que Wellington Menezes era um psicopata ou um sociopata porque ele nunca passou por uma averiguação médica séria e, na psiquiatria, diagnósticos costumam levar até dez anos para serem fechados. Eu estudo psicologia, psicanálise e psiquiatra há dez anos, por conta dos transtornos que possuo, e vejo em Wellington Menezes traços muito maiores de uma esquizofrenia não tratada do que de uma psicopatia - por conta de seu embotamento afetivo (dificuldade de socialização e de expressar emoções). Um esquizofrênico sem tratamento, também pode entrar em surto psicótico e cometer um ato bárbaro como o de Wellington, Lily. Mas o que eu gostaria mesmo de dizer a você e a todos os leitores deste blog, como jornalista que já fui (acabo de mudar de carreira) é o seguinte. Não acreditem nas entrevistas dos psicólogos, psiquiatras ou psicanalistas que vocês vêm na televisão, em que eles afirmam que Wellington era um psicopata ou um sociopata. Eles não avaliaram Wellington para fazer tais afirmações. Classificar um ser humano como psicopata sem ter um profundo diagnóstico é algo muito sério. Pensem no impacto que isto deve estar gerando para a família deste rapaz, que está sofrendo com linchamentos e não tem culpa. Na maioria dos casos, as famílias não sabem como lidar com pacientes psiquiátricos, por isto eles não são tratados a tempo e cometem estes crimes chocantes. E mais uma vez ressalto para vocês não confiarem muito nas entrevistas dos psicólogos, psicanalistas e psiquiatras a respeito do comportamento de Wellington Menezes. Muitos destes profissionais dão entrevistas apenas para aparecer na mídia e conseguir novos clientes. Outra questão que eu gostaria de levantar é a de que em uma escola, não é apenas os professores que deveriam olhar melhor pelas suas crianças. Aliás, a maioria deles não possui preparo para lidar com o psiquismo infantil. Para isto existem profissionais como pedagogos, psico-pedagogos, psiquiatras infantis e psicanalistas. Todos estes profissionais deveriam fazer parte da equipe de uma escola, seja ela pública ou privada, e trabalhar em sinergia para evitar que tragédias como a da escola municipal Tasso da Silveira nunca mais aconteçam. Para concluir, escrevi em meu blog um post que complementa o seu, adicionando informações sobre psiquiatria que as pessoas desconhecem e sugerindo reformulações para a escola onde aconteceu esta tragédia. Neste post, também exponho o profundo descaso com a situação da saúde mental no Brasil. Há falta de psiquiatras nos hospitais, filas enormes para conseguir vagas, remédios caríssimos que o governos não fornece, etc. O link do meu post é este aqui: http://margaridasempapel.wordpress.com/2011/04/10/realengo-uma-tragedia-anunciada/ . Abraços e parabéns pelo seu post.

Vanessa Lima disse... - Responder comentário

Sou completamente avessa a crueldade, muito presente entre as crianças e como professora por dois anos, pude observar que é muito crescente. Mas preciso dizer, que há muitos "porens" nessa história de bullying. Superproteger as crianças e adolescentes também não é válido, banalizar o bullyng pode ser um erro. Os apelidinhos na escola (não as perseguições, existe essa diferença) são saudáveis, torna a criança mais forte, estimula que ela se defenda e possa encarar situações adiante. Há que verificar até onde vai a relação "saudável" entre as crianças, do bullyng realmente. Também acho importante ressaltar que a responsabilidade de evitar certos atos de crueldade NÃO é apenas dos pais e dos professores, mas sim da sociedade em geral, que não deve se omitir diante dessas situações.
Enfim, é uma historia complexa que da margem a inúmeras discussões, mas necessarias.

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