27 fevereiro 2015

Carta a uma amiga sem filho

O texto abaixo não é meu - desconheço a autora - mas é como se fosse, poderia ter escrito cada uma dessas palavras, é perfeito. Publiquei ele em meu Facebook há alguns meses e agora publico aqui, porque ele explica também, de certa forma, o meu sumiço do blog.

Estamos ótimos, Matteo é maravilhoso, Pretinha está muito bem, em breve vamos nos mudar de casa, tenho trabalhado bastante, mas ser mãe é o que faço de melhor. Não sou mãe perfeita, não sou mãe xiita, sou mãe possível, mãe feliz, mãe tranquila, mãe em constante processo de aprendizado. E sou mãe assim, exatamente assim, como nessa carta:

"Querida amiga,
Sim, nós continuamos amigas. Sim, eu ainda gosto e me importo com você. Acontece que a vida mudou um pouquinho desde a chegada do meu filho. Eu sei que você está achando tudo uma grande frescura. Sei que o filho do Beto frequenta bares desde dois meses. Que o filho da Carina ficou dormindo no carrinho na última festa que teve na sua casa até 2 da manhã. Que o filho da sua prima fica quieto desenhando na mesa enquanto vocês almoçam por duas horas. E que o filho do Leandro é ótimo porque não chora.
Meu filho chora. Ele é ótimo, mas chora. Na verdade, toda a criança chora. Até o filho do Leandro. Chorar é a primeira forma de comunicação dos bebês, a maneira que eles têm para avisar quando alguma coisa está errada e eu fico aliviada por ser assim. Se com choro já é difícil identificar o que eles querem, imagina sem. Adoraria te ver sim, mas, atualmente, meus horários andam meio malucos. Comemoro quando acordo e ainda não está escuro do lado de fora. Por causa disso, meio dia já estou morrendo de fome e 22h estou bocejando.
Adoraria almoçar com você, esse é um programa que eu ainda consigo fazer com certa facilidade, mas você pode ligar no dia anterior pra gente combinar? E dá para ser um pouquinho mais cedo? Eu não posso garantir que ele vai ficar quieto na mesa o tempo todo como o filho da sua prima. Provavelmente eu precise levantar algumas vezes. Mas vamos adorar te encontrar.
Eu sei que você está me achando uma chata, muito exagerada, uma generala do lar, mas é que a rotina é fundamental aqui em casa. Traz segurança para todos nós e a ilusão de que a vida ainda pode ser controlada e menos caótica. Faz diferença quando a gente troca muito os horários. Ele pode até dormir na sua casa durante uma festa, mas imagina ter que transportá-lo no meio da noite? Ele dormindo tão confortável e eu tendo que acordá-lo? E a preocupação de sair de madrugada pelas ruas do Rio de Janeiro com um bebê? E se ele chegar em casa e resolver ficar acordado? De vez em quando vale fazer um sacrifício, claro, mas não quero que essa seja a nossa rotina. Tem que ser bom para todo mundo, principalmente para ele.
Muita gente cria o filho de outra maneira, eu sei. Mas esse é o jeito que escolhi criar meu filho por enquanto. Pode ser que mês que vem tudo mude. Que eu convença a avó dele a ficar aqui em casa algumas noites e tenha vontade de sair novamente. Por enquanto eu não tenho tanta. Minhas melhores noitadas têm acontecido aqui em casa mesmo. Queria que você tivesse um pouco de paciência e amor. Muita coisa mudou. It’s the end of the world as we know it, mas é um mundo bem mais bonito esse que estou vivendo agora. Você continua nele. And I feel fine."

7 comentários:

Ana Paula Borges disse... - Responder comentário

Que linda essa carta! Eu Tb tenho um filho de 2 anos e tenho saído bem pouco. Quando saio para festas ou jantar na casa de alguém, volto para casa antes das 22h00. Minha rotina mudou completamente, antes não tinha horário para nada. Antes ficava até de madrugada assistindo filmes com o marido, agora eh um filme a cada 15 dias e olhe lá. Mas estou feliz! Ah,saudades de ver seus looks maravilhosos. Bjsss www.janelasingular.com.br

Anônimo disse... - Responder comentário

Hoje tem uma espécie de nazi-mothers no facebook, cobrando que se o filho não receber leite materno até os 2 anos a criança vai sofrer. Vejo mulheres desistindo da vida profissional e perdendo décadas de avanço.

Lily Zemuner disse... - Responder comentário

Eu amamento Matteo até hoje, ele está com 1 ano e 4 meses. Voltei a trabalhar quando ele tinha 6 meses. Não é preciso abrir mão da vida profissional, dá pra trabalhar e continuar amamentando. Mas se não der, não vejo problema, ninguém é mais ou menos mãe por causa disso, cada uma sabe o que pode e deve fazer, esse terrorismo é MUITO desnecessário, pq cria mães culpadas. E mãe, por si só, já carrega culpas demais, não precisa ser julgada (principalmente por outras mães).

Beijos.

Camilla disse... - Responder comentário

Que linda! <3 Feliz em ler isso. Feliz em voltar nesse cantinho. Feliz em ver em outras redes sociais que seu Matteo está bem e que vocês estão caminhando juntos cada vez mais! :)

Beijo enorme Lily!
http://www.mademoiselleparis.com.br/

Coisas de Tássia disse... - Responder comentário

Adorei o texto.

Soraya Medeiros disse... - Responder comentário

Fantástico Lily! É isso mesmo. Também tenho filho pequeno e é exatamente assim. Bom saber que está tudo bem. Saudades de vocês!

Yara disse... - Responder comentário

Lindo, é isso mesmo.
Antes eu ficava até chateada com as amigas pq depois da maternidade todo mundo some.
Aí as amigas começaram a ter filhos também, hohoho. Aí começaram a me entender :o)

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Meu jardim está florido.
E o seu?

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